O tema transgênicos é muito polêmico na sociedade e na comunidade científica. Mas quais os benefícios reais que esses organismos trazem à nossa realidade no Piauí? Qual o papel deles na ciência e na economia piauiense? Que tal uma historinha para responder essas pergunta? Essa é a história dos transgênicos e do Ouro Branco piauiense.
Há 20 anos, o sudeste do Piauí era conhecido por ser referência regional da produção de algodão. O lendário Grupo Coelho, instalado em Picos, era uma referência no Nordeste brasileiro. Era um sonho dourado de prosperidade nessa terra. Dourado não, branco! O algodão era tudo o que os moradores precisavam para serem felizes, ou quase tudo. Mas como dizem os mais sábios, nem tudo o que reluz é ouro, e nem todo algodão é riqueza. A cultura do algodão enfrentou grandes dificuldades nos
anos 80, entre elas a praga do bicudo, responsável por sérios prejuízos
aos agricultores. E continuando com mais um ditado: tudo que é ruim pode piorar, afinal, houve incentivo para a compra de algodão
importado, provocando o declínio da indústria têxtil nacional.
Essas dificuldades resultaram em queda substancial da produção no
Nordeste do Brasil e também no Piauí, em função da baixa adoção de
tecnologias que impossibilitava a convivência adequada com a praga do
bicudo. Em outras palavras, a galera de Picos não conseguia competir com o algodão de São Paulo e do Paraná. Parecia o fim da história do algodão nesse Estado.Usando uma célebre frase de Roberto Bolaños: "Oh, e agora, quem poderá nos defender?" Os transgênicos!
Os produtores piauienses não contavam com a astúcia da ciência! Ou nem tanto assim, há um debate acalorado sobre os reais benefícios (e malefícios) de usar transgênicos. Mas esse é um assunto para os próximos capítulos do Bioquimicotransgenia. Hoje, vamos nos prender a essa épica história do algodão no Piauí. E o fato é que ele está de volta! Duas décadas depois da praga do bicudo ter dizimado as plantações em Picos, o algodão reviveu no Piauí. A diferença é que as grandes plantações saíram da
região do Semiárido e foram para os Cerrados, especialmente em Uruçuí e
Santa Filomena, onde apresentam uma produtividade de encher os olhos: mais de 3 mil quilos por hectare para o algodão em caroço, e de mais
de 1,1 mil quilos por hectare para o algodão em pluma.Ou seja, o algodão transgênico venceu a praga do bicudo.
E esse é um dos benefícios dos transgênicos no nosso estado. A EMBRAPA Meio Norte é uma das grandes responsáveis pelas pesquisas envolvendo algodão transgênico. Ela está recomendando para o plantio da safra 2014-2015, em todo o
País, as cultivares de algodão herbáceo BRS 368RF, BRS 369RF, BRS 370RF e
BRS 371RF, todas transgênicas. Elas foram desenvolvidas pela Embrapa
Algodão, com sede em Campina Grande, na Paraíba, em parceria com a
Embrapa Meio-Norte, em Teresina, no Piauí.
Mas esse não é a única cultura transgênica no Piauí. A soja tem sido amplamente estudada para obtenção de melhor produtividade. Aí a discussão é mais pesada, afinal envolve nutrição humana. A Universidade Federal do Piauí, através do renomado BioTec, é um dos pioneiros nesse tipo de estudo, referência no Piauí e em todo o Cerrado brasileiro. Esses estudos são coordenados em Parnaíba pela pesquisadora Andrea Coelho.
E essa é a emocionante história de como os transgênicos salvaram a produção de algodão no Piauí, e trouxeram de volta o Ouro Brando para o cerrado do estado. E isso é tudo, pessoal! Um grande abraço e até a próxima!
REFERÊNCIAS
INCA - disponível em http://www.icna.org.br/noticia/algodao-transgenico-deve-crescer-34-na-safra-20132014. Acessado em 23 de abril de 2015
CERRADOS DO PIAUÍ - disponível em http://www.cerradosdopiaui.com.br/?sec=algodao. Acessado em 23 de abril de 2015
EMBRAPA - disponível em https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/1895642/mais-cultivares-de-algodao-chegam-ao-mercado. Acessado em 23 de abril de 2015.
GOVERNO DO ESTADO DO PIAUÍ - disponível em http://www.ccom.pi.gov.br/materia_especial.php?id=36765. Acessado em 23 de abril de 2015
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ - disponível em http://www.uespi.br/site/?p=52782. Acessado em 23 de abril de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Como o OT lida com a transgenia?
Olá pessoal! No post da semana passada, falamos conceitos iniciais de transgênicos, de sua importância e do mecanismo de formação deles. No post de hoje, discutiremos um pouco sobre as consequências que a transgenia traz para o OT e os possíveis impactos disso na saúde humana.
Um exemplo de organismo transgênico
é a soja MSOY 7575 RR. É a modalidade transgênica de soja mais utilizada no
Brasil e demonstra os possíveis benefícios desses organismos, assim como não é
tão fácil prever as consequências das modificações. Inicialmente o que se
buscava com a modificação do organismo era apenas aumentar a resistência da
soja aos herbicidas a base de glifosfato, que é um herbicida de amplo espectro
utilizado após a planta emergir do solo. Esses tipos de herbicidas são mais
baratos e de fácil aplicação. Na soja normal, no entanto, o glifosfato bloqueia
a enzima EPSPS, que causa uma reação em cadeia impedindo totalmente a produção
"de aminoácidos aromáticos, como a fenilalanina, a tirosina e o
triptofano", o que inviabilizava seu uso.
Com a adição do gene no genoma da
planta, há a produção de uma enzima modificada sobre a qual o glifosfato não
consegue agir. No entanto, a transgenia na soja causa alterações nos mecanismos
bioquímicos relacionados à produção de aminoácidos aromáticos e causa um
processo chamado estresse oxidativo.
O estrese oxidativo que decorre da existência de um desequilíbrio
entre compostos oxidantes e antioxidantes, em favor da geração excessiva de
radicais livres (peróxido de oxigênio, superóxido e outros) ou em detrimento da
velocidade de remoção desses. Tal processo conduz à oxidação de biomoléculas
com consequente perda de suas funções biológicas e/ou desequilíbrio
homeostático, cuja manifestação é o dano oxidativo potencial contra células e
tecidos. Em seres humanos, o estresse oxidativo está relacionado com eventos
patológicos que, por sua vez, estão envolvidos nos processos cardiovasculares,
carcinogênicos e neurodegenerativos.
Alem do estresse oxidativo, há
também alterações em outro aspectos da planta, como modificação na forma de
absorver luz solar e aceleração da absorção de nutrientes do solo, que ocasiona
uma maior concentração de alguns metais como cobre, cobalto e ferro na semente
da soja transgênica.
Os metais têm no organismo um
papel principalmente catalítico, agindo como grupo prostético em sítios ativos
e/ou como cofator para metaloenzimas. Assim, os alvos da ação tóxica são os
processos bioquímicos que ocorrem nas células, especificamente as enzimas e/ ou
membranas de células e organelas. O efeito tóxico do metal envolve, geralmente,
interação entre o metal livre na forma de íon com o sítio alvo. A toxicidade é
determinada pela dose nos níveis moleculares/celulares e, assim, fatores como a
forma química e capacidade de ligação tornam-se críticos.
E isso é tudo pessoal! Aguardem os próximos posts. ;)
REFERENCIAS:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-52732010000400013&script=sci_arttext
http://www.alimentosevida.org.br/images/revista/14.02.25_-_SOJA_TRANGENICA_ALTERACAO_NUTRICIONAL_E_BIOQUIMICA.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rbcf/v39n2/03.pdf
segunda-feira, 6 de abril de 2015
O que são Trangênicos?
Antes de aprofundar na bioquímica propriamente dita é necessário contar a historia da engenharia genética, pois foi ela que possibilitou a origem dos seres transgênicos, enfoque desse primeiro post a engenharia genética compõe-se de um conjunto de processos que permitem a manipulação do genoma de microrganismos vivos, com a consequente alteração das capacidades ou características de cada espécie. Eles surgiram graças à união da ciência básica e da aplicada, em conjunto com a aquisição de novos conhecimentos fundamentais, como o esclarecimento da estrutura do DNA (código genético) e entendimento de como manipulá-la. As técnicas de engenharia genética ou, mais corretamente, a tecnologia de DNA recombinante, começaram a ser implantadas no início do ano de 1970, com a utilização de vetores de clonagem, em geral, plasmídeos e genomas virais, lançando-se mãos das chamadas enzimas de restrição que permitiam cortar o DNA em pontos bem definidos, isolando-se assim fragmentos que tinham a possibilidade de serem introduzidos no código genético de outro organismo.
Algo importante a diferenciar nesse ponto é OGM e Transgênicos, termos que são usados, ocasionalmente, de forma errônea como sinônimos. Organismos geneticamente modificados (OGM) são organismos que passaram por alguma procedimento laboratorial que modificou sua carga genética. Já transgênicos são aquele OGM em que o processo utilizado foi de inserção de uma parte do genoma de outra espécie em seu genoma.
Abaixo uma imagem que representa a diferença também entre os transgênicos e como tradicionalmente eram feitas as modificações géneticas
Para realizar esse procedimento são utilizados enzimas de restrição que cortam o trecho de DNA requerido do organismo doador e as mesmas enzimas cortam o plasmídio de um DNA bacteriano, criando uma indentação semelhante nos dois trechos então utilizando uma enzima Ligase o trecho é adicionado no DNA circular, depois essa bactéria é inserida no organismo que se deseja modificar, infectando então com o novo trecho de DNA.
Esses OTs possuem inúmeras aplicações práticas. Além do aumento da produtividade agrícola, a prática mais conhecida, existem também usos transgênicos no setor industrial, químico, na produção de antibióticos e na área médica.
Mas com o desenvolvimento da técnica transgênica e o surgimentos das suas diferentes aplicações, diversos dilemas e questionamentos também se seguiram. Desde de dilemas éticos envolvendo o tratamento de animais, passando pela preocupação do clima e do ˜escape gênico" até questões econômicas e pragmáticas envolvendo o controle e valor das plantações e segurança no consumo humano.
Esses temas serão abordados com mais profundidade nos próximos posts e mostrando como a bioquímica interagindo nesses processos podem ajudar ou causar danos ao ambiente e a qualidade de vida das pessoas.
Muito longo, não leu? Então veja o vídeo
Referências
http://www.cgm.icb.ufmg.br/oquesao.php
https://web.archive.org/web/20070715054717/http://www.fas.org/biosecurity/education/dualuse/FAS_Jackson/2_A.html
http://ref.scielo.org/nz28fg
http://www.transgenicorganism.com/transgenic-history/
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