segunda-feira, 13 de abril de 2015

Como o OT lida com a transgenia?


Olá pessoal! No post da semana passada, falamos conceitos iniciais de transgênicos, de sua importância e do mecanismo de formação deles. No post de hoje, discutiremos um pouco sobre as consequências que a transgenia traz para o OT e os possíveis impactos disso na saúde humana. 


Um exemplo de organismo transgênico é a soja MSOY 7575 RR. É a modalidade transgênica de soja mais utilizada no Brasil e demonstra os possíveis benefícios desses organismos, assim como não é tão fácil prever as consequências das modificações. Inicialmente o que se buscava com a modificação do organismo era apenas aumentar a resistência da soja aos herbicidas a base de glifosfato, que é um herbicida de amplo espectro utilizado após a planta emergir do solo. Esses tipos de herbicidas são mais baratos e de fácil aplicação. Na soja normal, no entanto, o glifosfato bloqueia a enzima EPSPS, que causa uma reação em cadeia impedindo totalmente a produção "de aminoácidos aromáticos, como a fenilalanina, a tirosina e o triptofano", o que inviabilizava seu uso.
Com a adição do gene no genoma da planta, há a produção de uma enzima modificada sobre a qual o glifosfato não consegue agir. No entanto, a transgenia na soja causa alterações nos mecanismos bioquímicos relacionados à produção de aminoácidos aromáticos e causa um processo chamado estresse oxidativo.
O estrese oxidativo  que decorre da existência de um desequilíbrio entre compostos oxidantes e antioxidantes, em favor da geração excessiva de radicais livres (peróxido de oxigênio, superóxido e outros) ou em detrimento da velocidade de remoção desses. Tal processo conduz à oxidação de biomoléculas com consequente perda de suas funções biológicas e/ou desequilíbrio homeostático, cuja manifestação é o dano oxidativo potencial contra células e tecidos. Em seres humanos, o estresse oxidativo está relacionado com eventos patológicos que, por sua vez, estão envolvidos nos processos cardiovasculares, carcinogênicos e neurodegenerativos.


Alem do estresse oxidativo, há também alterações em outro aspectos da planta, como modificação na forma de absorver luz solar e aceleração da absorção de nutrientes do solo, que ocasiona uma maior concentração de alguns metais como cobre, cobalto e ferro na semente da soja transgênica.

Os metais têm no organismo um papel principalmente catalítico, agindo como grupo prostético em sítios ativos e/ou como cofator para metaloenzimas. Assim, os alvos da ação tóxica são os processos bioquímicos que ocorrem nas células, especificamente as enzimas e/ ou membranas de células e organelas. O efeito tóxico do metal envolve, geralmente, interação entre o metal livre na forma de íon com o sítio alvo. A toxicidade é determinada pela dose nos níveis moleculares/celulares e, assim, fatores como a forma química e capacidade de ligação tornam-se críticos.
E isso é tudo pessoal! Aguardem os próximos posts. ;)

REFERENCIAS:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-52732010000400013&script=sci_arttext
http://www.alimentosevida.org.br/images/revista/14.02.25_-_SOJA_TRANGENICA_ALTERACAO_NUTRICIONAL_E_BIOQUIMICA.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rbcf/v39n2/03.pdf

10 comentários:

  1. Muito interessante esse tema! Na verdade, percebo que no que se refere ao desenvolvimento da planta, o estresse oxidativo e a cascata de efeitos bioquímicos que ele desencadeia parecem ser benéficos. Como vocês mencionaram, nos seres humanos esse estresse tem muitos malefícios patológicos, como foi abordado em um estudo publicado na revista Advances in Pharmacological Sciences, que destaca o papel do estresse oxidativo nas doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e doenças de Huntington e esclerose lateral amiotrófica, mas a pesquisa ressalta, no entanto, que ainda não está muito claro se o estresse oxidativo em si contribui para o início da neurodegeneração ou é parte do processo neurodegenerativo como manifestação secundária.
    Aparentemente é um tema que precisa de mais estudos, pesquisas e aprofundamentos, bem como a transgenia.
    Aguardando próxima postagem :)

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  2. Mais uma postagem muito boa. Quando vocês falam sobre outras alterações nas características da planta, mostram que há muito mais que os efeitos potencialmente nocivos ao ser humano. Pode haver, por exemplo deslocamento ou eliminação de espécies nativas, erosão da diversidade genética e esgotamento do solo. Por isso, devem ser feitos minuciosos estudos de impacto ambiental antes de liberar o plantio de sementes transgênicas. Vi no site da EMBRAPA .

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    1. http://seer.sct.embrapa.br/index.php/cct/article/view/8833/4965

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    2. GRUPO H

      Gostando muito das postagens do blog e é bem legal saber como esses organismos estão sendo afetados pelos avanços científicos e como estes podem nos afetar direta ou indiretamente. Pelo que se pode observar, apesar da rápida difusão da transgenia ainda são escassos os estudos capazes de fornecer respostas científicas conclusivas quanto às vantagens e às desvantagens ambientais do cultivo dos transgênicos.
      Só sei que muitas são as críticas sobre a produção desses organismos, entre elas estão: esses produtos podem causar alteração do metabolismo da planta ou animal, causando o surgimento de novas toxinas ou alérgenos, além de alterarem a composição nutricional dos alimentos, reduzindo as quantidades disponíveis de nutrientes essenciais ou elevando a quantidade de elementos que poderiam fazer mal a saúde humana...
      É isso, esperando pela próxima postagem !!!

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  3. Grupo M
    Uma reação adversa que ocorre no organismo humano ao ingerir um transgênico, e mais frequente do que a reação discutida na postagem, é a reação alérgica. Estima-se que ela ocorra com a frequência de 6% em crianças pequenas e 3% em adultos, apesar da rigorosa fiscalização e do controle de qualidade da FAO. Os procedimentos para garantir segurança alimentar, em relação aos transgênicos são os seguintes: 1) evitar introduzir genes que codificam alérgenos em plantas sem história de alergenicidade, pois pode haver a proliferação de uma espécie alérgena; 2) se a fonte do gene é um alimento comumente alergênico ou se a proteína contiver sequências de aminoácidos com grande identidade com sequências de proteínas alergênicas, ela deverá ser avaliada quanto à capacidade de ligação com IgE de soros de pacientes alérgicos à fonte doadora do gene ou às sequências peptídicas coincidentes, para tentar reduzir a probabilidade de criação de um novo alérgeno; 3) resistência da proteína à digestão por pepsina, presumindo-se que há maior probabilidade de aparecimento de reações alérgicas com proteínas que são pouco digeridas, isto é, elas são fatores de risco para a indução de novas alergias. Percebemos que, ainda hoje, não se sabe muito sobre os transgênicos e a reação da natureza e do próprio organismo humano em sua presença, cabendo cautela ao se fazer experimentos que envolvam transgenia. Parabéns, postagem muito interessante, espero que continue assim!!

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  4. GRUPO L

    Muito interessante isso sobre o estresse oxidativo. Para reverter o quadro de estresse oxidativo, é preciso reduzir a produção de espécies reativas de oxigênio (ERO) ou aumentar a quantidade de antioxidantes disponíveis. Em condições normais, os antioxidantes convertem ERO em água para prevenir a superprodução destes compostos. Existem dois sistemas de defesa antioxidantes: os antioxidantes enzimáticos e os não enzimáticos. Os antioxidantes enzimáticos são conhecidos como antioxidantes naturais. Eles neutralizam as ERO excessivas e previnem danos da estrutura celular. São compostos pelas enzimas: superóxido dismutase (SOD); catalase (CAT), peroxirredoxinas (Prx), glutationa (GSH), glutationa redutase (GR) e glutationa peroxidase (GPx). Antioxidantes não enzimáticos são conhecidos como antioxidantes sintéticos ou suplementos da dieta.

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  5. Muito interessante a postagem haha... Não sei se tive a compreensão correta, mas no final do texto o "organismo afetado" é o consumidor? Ou apenas o transgênico? Achei de fundamental importância a abordagem, no primeiro post, de como são feitos os transgênicos, seus estudos (necessário anos de pesquisa. Seus efeitos em populações nativas, sua alta proliferação, a possibilidade de predadores para o transgênico, em como ele pode afetar o solo e principalmente seus efeitos em seus consumidores.). Nesse segundo post, gostei de como foi abordado um dos meios nos quais os transgênicos podem nos afetar. Eu desconhecia esse aumento na concentração de metais e acho que boa parte da população desconhece também. Senti falta da maior abordagem dos efeitos desses metais no nosso organismo. Uma boa ideia de postagem futura é o que acontece geralmente com transgênicos (por exemplo, o aumento da concentração dos metais) e no que isso nos afeta.

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  6. GRUPO I

    Galera, essa postagem realmente foi muito interessante e atual, afinal os produtos transgênicos, em especial os agrícolas, estão cada vez mais presentes em nossos cotidianos.
    A resistência adquirida da soja ao glifosato é fundamental, atualmente, para as grandes e medias plantações, já que isso permite que seja adotado o plantio direto (uma forma de manejo no qual o terreno não precisa ser aradado, com isso, diminui-se drasticamente o risco de erosão, os custos e o tempo dedicados à plantação). Essa forma de plantio é feita através de uma maquina especial, a plantadeira de plantio direto, que permite que a soja seja plantada em um terreno repleto de capim, ervas e mato em geral. Depois de plantada já se pode pulverizar a terra com o glifosato, com isso, esse herbicida vai exterminar o mato do solo e não vai causar nenhum prejuízo á plantação. Entretanto, o uso indiscriminado desse produto tóxico causa um enorme mal para os seres humanos e o meio ambiente. Logo, esse parece ser uns dos maiores desafios da biotecnologia dos transgênicos sintetizar produtos fenomenais, mas que seu uso, direto ou indiretamente, não cause danos socioambientais.

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  7. GRUPO D
    Muito boa à forma como o grupo traz informações que ajudam a tirar duvidas sobre um assunto que grande parte da população não tem um conhecimento muito amplo.
    Existem vários tipos de soja transgênicas sendo desenvolvidas atualmente. Como foi dito no post a mais conhecida e plantada comercialmente é uma planta que recebeu, por meio de técnicas da biotecnologia, um gene de um outro organismo capaz de torná-la tolerante ao uso de um tipo de herbicida, o glifosato.
    Esse gene foi extraído de uma bactéria do solo, conhecida por Agrobacterium, e patenteado por uma empresa privada com o nome CP4-EPSPS. Estruturalmente, é muito parecido com os genes que compõem o genoma de uma planta. Quando inserido no genoma da soja, tornou a planta resistente à aplicação do herbicida.
    Essa novidade chegou ao campo pela primeira vez nos Estados Unidos, na safra de 1996. No ano seguinte, os agricultores argentinos também já aderiram à novidade. Com a nova tecnologia, fico mais fácil para os agricultores controlarem a planta daninha sem afetar a soja.
    Mas isso não ocorre só com a soja, No milho e no algodão, os cientistas aproveitaram um gene encontrado na bactéria de solo Bacillus thuringiensis (Bt), uma velha conhecida dos agricultores. Essa bactéria é usada como controle biológico de pragas nas duas culturas. O controle é feito a partir da pulverização da bactéria sobre as plantações. Ao consumir as folhas, as pragas ingerem a substância que contém a bactéria BT, tóxica ao inseto, porém inofensiva para os homens. Por meio das técnicas de biotecnologia, o milho e o algodão receberam o gene expresso na bactéria BT e as plantas tornaram-se resistentes às pragas, broca europeia e lagarta-rosada, respectivamente, sem a necessidade de pulverização do produto.
    Os post estão sendo muito esclarecedores... Vamos continuar aprendendo juntos!!!

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