Já falamos muito de vegetais transgênicos, entramos um pouquinho no mundo dos insetos.... Hoje, o tema girará em torno das bactérias. Há quem pense que bactérias são apenas sinônimo de contaminação e patologias. Contudo, após o post de hoje, tenho certeza que a visão de vocês que pensam dessa maneira mudará radicalmente.
A "bactéria do bem" citadas no título do post é Escherichia coli, localizada normalmente na microbiota normal de seres humanos e outros animais. Encontrou-se um modo de fazer com que essa bactéria produza insulina humana, o que representa a melhora da qualidade de vida e melhor controle das taxas de glicemia de cerca de 12 milhões de diabéticos pelo Brasil afora.
Imagino seu questionamento, caros leitores: mas como uma bactéria é capaz de produzir insulina?
Vetores de clonagem transportam o fragmento do DNA para dentro da E. coli (processo de transformação) e ele se divide várias vezes juntamente com o genoma bacteriano, dando origem a células chamadas transformantes. Então a sequencia de genes transformantes se replica autonomamente na célula hospedeira.
A insulina foi o primeiro produto oriundo da tecnologia do DNA recombinante a ser comercializado mundialmente. A construção da pró-insulina humana foi iniciada a partir da sequencia de aminoácidos dessa proteína.Foi realizado então o teste de sequenciamento de DNA e a confirmação da sequência nucleotídica correta do gene. A célula transformada foi posta em meio adequado para seu crescimento. Essas foram algumas das etapas necessárias para o início da produção da insulina sintética, largamente utilizada por ser livre de contaminantes ou agentes infecciosos comumente encontrados na substância purificada de animais (método anterior de obtenção antes do surgimento do rDNA).
E aí? Ainda acha que bactérias e vírus são meros causadores de enfermidades?
Referências:
LOPES, Drielle Silva Andrade et al. A produção de insulina artificial através da tecnologia do DNA recombinante para o tratamento de diabetes mellitus doi: http://dx. doi. org/10.5892/ruvrv. 2012.101. 234245. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 10, n. 1, p. 234-245, 2012.
http://www.endocrino.org.br/numeros-do-diabetes-no-brasil/
Assunto super importante de ser abordado! Devemos desmitificar essa ideia de que todo vírus e bactéria servem unicamente para causar doenças. Outro exemplo de transgenia da E. coli é a que está sendo desenvolvida agora para a produção de diesel. Ela é naturalmente capaz de transformar moléculas de açúcar em gordura, para construir suas membranas. Os pesquisadores aproveitaram essa propriedade para fazer com que elas fabricassem combustível. Para tanto, isolaram genes presentes em diversas outras bactérias, capazes de criar várias cadeias de carbono de tamanho diferente, e os adicionaram ao DNA da E. coli. Alguns desses genes, por exemplo, foram retirados da bactéria luminescente Photorhabdus luminescens e da cianobactéria Nostoc punctiforme. Quando cultivadas em um caldo contendo uma grande combinação de ácidos graxos, essa novas bactérias geneticamente alteradas se tornaram capazes de produzir moléculas que são estrutural e quimicamente idênticas a dez hidrocarbonetos presentes no diesel comercial. O mais interessante é que o diesel produzido pelas bactérias é tão semelhante ao combustível comercial que seu uso não necessita que se faça ajustes nos motores, dutos e reservatórios. Mas não se empolguem tanto... A quantidade produzida foi pequena, portanto, é necessário fazer outros estudos para tentar produzir em larga escala. Mas já é um grande avanço já que, ao contrário do que acontece com o biodiesel retirado das plantas, não precisa ser misturado com outros derivados do petróleo :D
ResponderExcluirO título da pesquisa é esse aqui para quem quiser dar mais uma olhada: Synthesis of customized petroleum-replica fuel molecules by targeted modification of free fatty acid pools in Escherichia coli
Parabéns pela postagem, até a próxima (;
GRUPO H
ResponderExcluirÉ interessante ver como a Engenharia Genética tem proporcionado avanços na área médica e na indústria farmacêutica, com a criação da Tecnologia do DNA recombinante, usando o DNA formado pela união de genes de organismos diferentes, assim resultando na combinação de diferentes sequências de DNAs.
Essa tecnologia proporcionando a produção de insulina artificial, com certeza irá trazer enorme avanço na área da medicina e, consequentemente, para a comunidade.
Mesmo existindo ainda alguns limites (ética, preconceito, falta de informação e alto custo) para a aplicação prática da Engenharia Genética, não restam dúvidas de que a ciência dispõe de alta e promissora tecnologia para a solução de problemas que antes pareciam não ter solução (Candeias, 1991).
Excelente abordagem! Muito bom ver o lado positivo da engenharia genética :)
ResponderExcluirBem, todas essas modificações na bactéria, como foi explicado, envolve diretamente a transformação do DNA, para que ocorram mudanças/acréscimo das características do organismo. Para que ocorra a recombinação do DNA é necessário haver uma "quebra" na sua estrutura, separando-o em extremidades de fitas simples, que permitem a ligação de novos fragmentos. As enzimas são muito importantes para que esse processo ocorra. Por exemplo, para a clonagem de um de um determinado segmento de DNA, as enzimas de restrição
são utilizadas para gerar fragmentos com extremidades de fita simples complementares de até quatro nucleotídeos de comprimento, denominadas extremidades coesivas. Esses fragmentos posteriormente serão ligados pela DNA ligase (outra enzima), que catalisa a formação de uma ligação fosfodiéster entre as duas moléculas.
Espero ter contribuído com a postagem! aguardando a próxima :)
Grupo L :D
ExcluirGrupo D:
ResponderExcluirÉ muito bom conseguir aplicar conceitos aprendidos em sala de aula, nas matérias de Biologia Molecular e Microbiologia, para entender a técnica da tecnologia do DNA recombinante. São vários os medicamentos obtidos por engenharia genética utilizados pela população para o tratamento e prevenção de diversas patologias. E, a tendência é aumentar a quantidade de novos medicamentos no combate as mais diversas patologias, buscando melhor eficácia terapêutica, especificidade e consequente redução dos efeitos indesejáveis. Esse um campo que merece atenção e para onde estão previstos grandes avanços na área da saúde...
Estima-se que existam cerca de 1 milhão de diabéticos no Brasil, dependentes da injeção de insulina. O uso dos conhecimentos da engenharia genética possibilita que os custos envolvidos na fabricação de insulina diminuam consideravelmente, bem como diminui em 30 dias o tempo para produção (um terço do tempo do procedimento tradicional). Em relação a bioquímica, a insulina é uma proteína com duas cadeias polipeptídicas ligadas, contendo 21 aminoácidos a cadeia A e 30 aminoácidos a cadeia B.
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